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"Luiz Carlos Prestes entrou vivo
no Panteon da História.  
Os séculos cantarão a 'canção de gesta'
dos mil e quinhentos homens da
Coluna Prestes e sua marcha de quase
três anos através do Brasil.
Um Carlos Prestes nos é sagrado.
Ele pertence a toda a humanidade.
Quem o atinge, atinge-a."

(Romain Roland, 1936)


Artigos
Resenha do livro "Luiz Carlos Prestes: um comunista brasileiro" de Anita L. Prestes.

Autor - Milton Pinheiro. Colocar fonte: Margem Esquerda, Ed. Boitempo,  nº 26, maio/2016, p.151-153.

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A Social-democracia apunhalou a revolução Alemã em 1918

Neste texto, Miguel Urbano lembra-nos como, em 1918, foi traída a revolução alemã, no cumprimento do ainda hoje mal conhecido papel histórico da social-democracia.
Na foto que ilustra o texto, vemos Friderich Erbert, no lado esquerdo da 3ª carteira do lado direito, na Escola do SPD; à esquerda, de pé, Rosa Luxemburgo com outros professores.

Última atualização em Seg, 23 de Maio de 2016 11:46
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Eurocomunismo e Reformismo
Escrito por Catarina Casanova   

Em qualquer das suas máscaras, sempre os reformistas se apresentaram sob o propósito de defender, aprofundar ou de adequar a luta pelo socialismo às novas realidades, à modernização das estruturas revolucionárias por forma a corresponderem a evolução dos tempos. Foi sempre assim, cá e lá fora, nas instituições nacionais e supranacionais, em países capitalistas e em países que se reclamavam da construção do socialismo.
O resultado foi sempre o contrário dos propósitos anunciados.


O carácter relativamente «pacífico» do período de 1871 a 1914 alimentou o oportunismo primeiro como estado de espírito, depois como tendência e finalmente como grupo ou camada da burocracia operária e dos companheiros de jornada pequeno-burgueses. Estes elementos só́ podiam submeter o movimento operário reconhecendo em palavras os objetivos revolucionários e a táctica revolucionária. Eles só́ podiam conquistar a confiança das massas através da afirmação solene de que todo o trabalho «pacífico» constitui apenas uma preparação para a revolução proletária. Esta contradição era um abcesso que alguma vez haveria de rebentar, e rebentou. Toda a questão consiste em saber se se deve tentar, como fazem Kautsky e Cª, reintroduzir de novo esse pus no organismo em nome da «unidade» (com o pus) ou se, para ajudar à completa cura do organismo do movimento operário, se deve, o mais depressa possível e o mais cuidadosamente possível, livrá-lo desse pus, apesar da temporária dor aguda causada por esse processo. (Lenine, 1916 in O Oportunismo e a Falência da II Internacional, publicação original na Revista Vorbote, nº1.http://www.dorl.pcp.pt/images/classicos/lenine_oportunismo2internacional.pdf)

A derrocada da dominação da burguesia só é possível pelo proletariado, única classe cujas condições económicas de existência a tornam capaz de preparar e realizar essa derrocada. O regime burguês, ao mesmo tempo que fraciona, dissemina os camponeses e todas as camadas da pequena burguesia, concentra, une e organiza o proletariado. Em virtude do seu papel económico na grande produção, só o proletariado é capaz de ser o guia de todos os trabalhadores e de todas as massas que, embora tão exploradas, escravizadas e esmagadas quanto ele, e mesmo mais do que ele, não são aptas para lutar independentemente por sua emancipação.

A doutrina da luta de classes, aplicada por Marx ao Estado e à revolução socialista, conduz fatalmente a reconhecer a supremacia política, a ditadura do proletariado, isto é, um poder proletário exercido sem partilha e apoiado diretamente na força das massas em armas. O derrubamento da burguesia só é realizável pela transformação do proletariado em classe dominante, capaz de dominar a resistência inevitável e desesperada da burguesia e de organizar todas as massas laboriosas exploradas para um novo regime económico. (Lenine, 1918 in O Estado e a Revolução. Obras Escolhidas de Lenine, Edição em Português da Editorial Avante, 1977, T2: pp 219-305; traduzido das O. Completas de Lenine 5a Ed. Russo, t.33: pp 1-120)
http://www.dorl.pcp.pt/images/classicos/t25t088.pdf

Atenas, 18 Setembro de 2015: Comício com Pablo Iglesias (Podemos), Ska Keller (Verdes – Alemanha), Pierre Laurent (PCF e líder do Partido da Esquerda Europeia), Alexis Tsipras (Syriza) e Gregor Gysi (Die Linke)

Pode parecer estranho que partidos nascidos da ruptura revolucionária com a II Internacional (como o PCF, o PCI ou o PCE), venham a repetir com semelhanças evidentes o que de pior houve nos partidos social-democratas: democratismo, conciliação de classes, cretinismo parlamentar, tudo foi repetido. O resultado de tais repetições é uma consequência natural de causas idênticas.

Morreram em luta contra o nazi-fascismo, das barricadas de Barcelona às montanhas do norte de Itália, milhares de militantes comunistas, contra o capitalismo. O capitalismo, seja em putrefacção (nazi-fascismo) ou não, é sempre capitalismo, ainda que dê migalhas ao proletariado como em regimes de fachada pseudo-democrática com parlamentos burgueses, sufrágio universal, mas onde na verdade, o capital e os seus representantes políticos estão sempre em vantagem. De resto, se por acaso os comunistas chegarem ao poder de acordo com as regras burguesas, o capital rapidamente arranja forma de quebrar as regras por ele ditadas (veja-se o Chile). Os comunistas jamais lutam pelo capitalismo, seja com que formato for. Lutam sempre tendo como perspectiva a revolução socialista. Portanto, importa lembrar que estes milhares de comunistas morreram pelo fim da sociedade da exploração e da opressão, pelo socialismo, pelo comunismo. Não foi pela democracia burguesa que Gramsci ou Arthur Dallidet morreram. Não foi para isso que milhões de comunistas deram a vida contra o nazi-fascismo.

Após a II Guerra Mundial surge a ideia peregrina de a democracia ser um regime neutro no que toca à natureza de classe (uma tese kaustkysta desmentida por Lenine 30 anos antes em A Revolução Proletária e o Renegado Kautsky). O aparelho de Estado democrático poderia ser utilizado, independentemente das relações de produção, quer pelo proletariado para atingir o socialismo, quer pela burguesia para aprofundar o capitalismo. Em face disto, a preparação e o desenvolvimento da luta revolucionária tornava-se desnecessária: a tarefa dos partidos comunistas passava a ser no plano sindical discutir e negociar reformas (bastante próximas do programa de transição de Trotsky [1]) e no plano político, como disse Stalin [2], serem máquinas de propaganda eleitoral e apêndices de um grupo parlamentar.

Assim se gerou um período de várias décadas de paz social dissimulada por um discurso que utilizou e utiliza todos os conceitos teóricos: “marxismo-leninismo”, partido “revolucionário”, a importância da “luta de classes” mas que no fundo, é pautado por práticas reformistas de que é exemplo claro o Manifesto a prática coincidir com o discurso. Esta degenerescência atingiu o ponto máximo quando, extravasando o plano nacional, se materializou na tese da refundação do projecto europeu por meios democráticos e pacíficos, elemento programático central do Partido da Esquerda Europeia – onde cabem, forças que vão desde o PCE, o PCF até ao Syriza e ao Bloco de Esquerda - caracterizado pela Resolução Política do XIX Congresso do PCP [3] como estrutura de natureza “supranacional e reformista” que “não só não contribui para a unidade e cooperação das forças comunistas e progressistas da Europa, como introduz novos factores de divisão, afastamento e incompreensão, que dificultam avanços na cooperação e solidariedade entre forças comunistas e de esquerda na Europa”.

Na contemporaneidade, o eurocomunismo e o Partido da Esquerda Europeia são os responsáveis máximos pela claudicação ideológica contribuindo escandalosa e conscientemente para o atraso da consciencialização das massas encaminhando-as para becos sem saída.

É urgente encarar a luta contra o reformismo como uma tarefa central dos comunistas. Sobretudo quando as experiências governativas feitas tendo o programa destes partidos como alicerce – veja-se o Syriza – se revelaram em tudo iguais às dos partidos burgueses: alianças com o sionismo, deportação de refugiados, prisão de sindicalistas, repressão de manifestações e aplicação de memorandos da troika.

Não é possível utilizar o Estado burguês funcionando ao serviço dos trabalhadores. Os trabalhadores devem erguer o seu próprio Estado pela via revolucionária.

Notas:
[1] Trostky, L. 1938, in O Programa de Transição.
https://www.marxists.org/portugues/trotsky/1938/programa/cap01.htm#1
[2] Significa que os partidos da II Internacional não servem para a luta do proletariado, que não são partidos de luta do proletariado, que possam conduzir os operários à conquista do Poder, mas um aparelho eleitoral, adaptado às eleições parlamentares e à luta parlamentar
(Stalin, 1924 in Sobre os Fundamentos do Leninismo, Jornal Pravda,. 96, 97, 103, 105, 107, 108 e 111, respectivamente em 26 e 30 de Abril e 9, 11, 14, 15 e 18 de Maio. O PCP publicou uma edição clandestina desta obra durante a ditadura de Salazar) https://www.marxists.org/portugues/stalin/1924/leninismo/cap08.htm
[3] http://www.pcp.pt/resolucao-politica-do-xix-congresso

 

* Professora Associada da Universidade de Lisboa

http://www.odiario.info

Última atualização em Qui, 19 de Maio de 2016 00:16
 
Eurocomunismo ou o render dos ideais
Escrito por Catarina Casanova*   

Neste texto, Catarina Casanova dá uma primeira explicação do como e do porquê o Partido Comunista Francês escorrega, plano inclinado abaixo, até à situação em que se encontra. Desde logo, salta à vista como é que o CC do Comité Central do PCF numa reunião de dois dias, 5 e 6 de Dezembro de 1968, se substituiu ao Congresso e aprova, com o título de «Por uma democracia avançada, por uma França socialista» a tese de que «pacificamente, o capitalismo transformar-se-ia em socialismo pela acção de massas dos “partidos democráticos” dentro do quadro legal».

Fonte "ODiário.info

Última atualização em Dom, 08 de Maio de 2016 16:26
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Campanha de Bernie Sanders: Qual a chave dos sucessos?
Escrito por John Bellamy Foster   

«O mais notável do fenómeno Sanders é que apesar da implacável hostilidade dos guardiões do templo mediático (…) continua a bater recordes de massas na sua campanha. Também obteve mais votos entre as pessoas com menos de 30 anos que Hillary Clinton e Trump juntos, o que aponta para uma menor influência dos grandes meios de comunicação na sociedade estadounidense e um aumento da influência das redes sociais, pelo menos entre as pessoas mais jovens.»

O Rendimento Nacional pode comparar-se a uma torta. Se de um ano para o seguinte a torta cresce, todos podem obter uma fatia maior. Ao contrário, se o tamanho da torta continua o mesmo, uma fatia maior para alguns só pode significar uma fatia mais pequena para os outros.

Isto ajuda-nos a compreender o péssimo estado da economia dos EUA e o ímpeto ganho pela campanha eleitoral de Bernie Sanders, que se refere aos trabalhadores e às suas famílias. Durante décadas o crescimento da economia dos EUA estagnou e, década após década, verificava-se um menor ratio de crescimento. Nestas circunstâncias, o rápido incremento das receitas dos de cima – aqueles a quem Sanders gosta de chamar a «classe milionária» – dá-se à custa das receitas (a parte da torta) dos de baixo.

Os 400 multimilionários do país acumulam mais riqueza que metade dos rendimentos salariais dos de baixo; isto é, cerca de 1350 milhões de pessoas. A parte dos salários no rendimento nacional foi caindo ao mesmo tempo que os rendimentos dos detentores de bens de produção iam subindo. Os trabalhos são mais precários. Muitas pessoas foram expulsas do mercado de trabalho. Ainda que o desemprego oficial tenha decrecido nos últimos cinco anos, torna-se difícil conseguir bons trabalhos com salários dignos. Cada vez há mais pessoas a cair na pobreza. A maioria dos estudantes no sector público está classificada como pobre ou quase pobre.

O establishment político, baseado no bipartidarismo dos partidos Democrata e Republicano menosprezou largamente a deterioração das condições de vida da maioria das pessoas. Visto que os pobres, incluindo os trabalhadores pobres são menos propensos a votar e têm pouca influência, pelo que são facilmente descartáveis. O dinheiro domina a todos os níveis a política nos EUA. A resolução do Supremo Tribunal de Justiça, Citizens United, que em 2010 abriu as portas às doações ilimitadas manchou irremediavelmente a imagem da democracia norte-americana. Agora é normal ouvir-se, para citar a memorável frase dos economistas Paul Baran e Paul Sweezy de 1966, que os EUA são «democrata nas formas e plutocrata no conteúdo».

Nas penosas condições da situação política estadounidense como se explica o extraordinário fenómeno da campanha de Bernie Sanders para as eleições presidenciais? Sanders apresenta-se a si-mesmo como um socialista democrático na esteira da fase mais radical da administração de Franklin D. Roosevelt, que propôs uma Carta dos Direitos Económicos para garantir o pleno emprego e a segurança económica a todos os Norte-americanos.

Última atualização em Qua, 06 de Abril de 2016 02:17
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