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"Luiz Carlos Prestes entrou vivo
no Panteon da História.  
Os séculos cantarão a 'canção de gesta'
dos mil e quinhentos homens da
Coluna Prestes e sua marcha de quase
três anos através do Brasil.
Um Carlos Prestes nos é sagrado.
Ele pertence a toda a humanidade.
Quem o atinge, atinge-a."

(Romain Roland, 1936)


Notícias
Venezuela: A grande lição das eleições

A Coligação de direita venceu as eleições legislativas na Venezuela.

A chamada Mesa da Unidade Democrática-MUD elegeu até este momento 99 dos 167 deputados da Assembleia Nacional e o Partido Socialista Unido da Venezuela-PSUD 46. Ainda não foram atribuídos 22 lugares e os resultados somente serão conhecidos no final da tarde ou amanhã.
O que surpreende na vitória da direita é a sua dimensão.

Se o MUD obtiver uma maioria de dois terços (112 deputados) poderá reformar a Constituição e destruir muitas das conquistas do povo venezuelano realizadas apos a eleição de Hugo Chávez Frias há 17 anos

Última atualização em Ter, 08 de Dezembro de 2015 10:37
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A responsabilidade do EUA na perigosa vaga de terrorismo

Os trágicos atentados terroristas de Paris foram condenados a nível mundial pela humanidade solidária com o povo francês, alvo da monstruosa e repugnante chacina.
Milhões de palavras sobre o acontecimento foram escritas ou pronunciadas em dezenas de países em muitas línguas.
Dirigentes políticos, personalidades destacadas, politólogos de serviço nos grandes media, comentaram os atentados.
Chama a atenção o facto de na Comunidade Europeia nenhum chefe de estado ou de governo ter nas suas intervenções abordado a questão fundamental das causas da vaga de terrorismo que assola o mundo. Obama também se absteve de tocar no tema.

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Argentina: un balotaje crucial para América Latina

(Por Atilio A. Boron)

El resultado de las elecciones del pasado domingo no fue un rayo en un día sereno. Un difuso pero penetrante malestar social se había ido instalando en la sociedad al compás de la crisis general del capitalismo, las restricciones económicas que impone a la Argentina el agotamiento del boom de las commodities y la tenaz ofensiva mediática encaminada a desestabilizar al gobierno. Era, por lo tanto, apenas cuestión de tiempo que esta situación se expresara en el terreno electoral. Ya las PASO (elecciones Primarias Abiertas Simultáneas y Obligatorias) celebradas el 9 de Agosto habían sido una voz de alarma, pero no fue escuchada y analizada por el oficialismo con la rigurosidad requerida por las circunstancias. Prevaleció una actitud que para utilizar un término benévolo podríamos calificar como “negacionista”, gracias a la cual la autocrítica y la posibilidad de introducir correctivos  estuvieron ausentes, con las consecuencias que hoy estamos lamentando.

Última atualização em Qui, 29 de Outubro de 2015 23:57
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O jogo da hipocrisia num sistema institucional apodrecido

Miguel Urbano Rodrigues

O comportamento e as declarações do Presidente da Republica, dos principais dirigentes do PSD e do CDS e a histeria especulativa do sistema mediático caracterizam um jogo de hipocrisia degradante e desacreditam um sistema institucional apodrecido. Num tal quadro, a possibilidade de uma saída positiva não passa pelas instituições. Reside na intensificação da luta de massas.

Após a Guerra da Crimeia em l856,o Império Russo e a Inglaterra vitoriana estiveram na aparência à beira de um novo conflito armado até à assinatura da chamada Entente Cordiale em 1904.

 

Última atualização em Seg, 26 de Outubro de 2015 10:34
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Jihadistas imperiais*

A criminosa irresponsabilidade com que a maior potência imperialista conduz a sua acção – colocando o mundo perante a ameaça de uma catástrofe sem precedentes – exprime-se de forma arrogante pela boca dos seus ideólogos. Assumem com orgulho os crimes passados, e preparam crimes ainda mais monstruosos.


O perigo dum conflito catastrófico é hoje bem real. Atente-se nas declarações de alguns dos principais responsáveis da política externa da maior potência imperialista. Zbigniew Brzezinski, ex-Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA publicou no Financial Times (4.10.15) um artigo que começa assim: «Todos sabemos como começou a primeira guerra mundial. […] Há ainda tempo para evitar uma dolorosa repetição, eclodindo desta vez no Médio Oriente e mais especificamente na Síria». Porquê esta referência a um conflito entre as duas maiores potências nucleares do planeta? Escreve Brzezinski: «Moscovo escolheu intervir militarmente [na Síria], mas sem cooperação política ou táctica com os EUA – a principal potência externa empenhada em esforços directos, se bem que não muito eficazes, para derrubar [o presidente sírio] Assad. Ao fazê-lo, lançou alegadamente uma série de ataques contra elementos sírios que são patrocinados, treinados e equipados pelos americanos, provocando prejuízos e causando baixas».Brzezinski confessa numa única frase que os EUA são a principal potência por detrás da guerra na Síria (e da vaga de refugiados que provocou); que estão a patrocinar, treinar e armar jihadistas; e que são os EUA, e não o governo sírio, quem deve mandar naquele país. Adianta Brzezinski: «Os EUA têm apenas uma opção, se desejam proteger os seus interesses mais amplos na região: exigir a Moscovo que pare e desista de acções militares que afectam directamente os agentes [“assets”] americanos. […] qualquer repetição do que acaba de se passar deve levar a uma rápida retaliação pelos EUA». Em curtas palavras: não se atrevam a tocar nos nossos jihadistas, nem a interferir nas nossas operações de agressão e mudança de regime. Seguindo as peugadas de Al Capone, adverte: «A presença naval e aérea russa na Síria é vulnerável, está isolada geograficamente do seu país. Pode ser “desarmada” se insistirem em provocar os EUA». A ameaça foi repetida pelo ministro da Defesa dos EUA (país que também está a bombardear a Síria, mas – ao contrário dos russos – à revelia do governo sírio). Ashton Carter, falando em conferência de imprensa após a reunião de NATO em Bruxelas (8.10.15), disse: «[os russos] dispararam mísseis cruzeiro dum navio no Mar Cáspio sem aviso prévio. Aproximaram-se a poucos quilómetros [!] dum dos nossos aviões não tripulados. Iniciaram uma ofensiva conjunta terrestre com o regime sírio, estilhaçando a fachada de que estariam lá para combater o ISIS [?!?]. Isto terá consequências para a própria Rússia, que receia justamente um ataque contra a Rússia. E também espero que nos próximos dias os russos comecem a sofrer baixas na Síria». Para bom entendedor…
A arrogância imperialista não tem limites. Ashton Carter confessou
(Washington Post, 20.10.02) que, enquanto vice-ministro da Defesa de Clinton, passou «boa parte do primeiro semestre de 1994» a preparar um ataque militar a uma central nuclear norte-coreana. E Brzezinski é pai político do jihadismo global, como confessou na sua entrevista ao Nouvel Observateur (15.1.98) quando, ufano, se vangloriou: «Segundo a versão oficial da história [!], a ajuda da CIA aos mujahedines começou em 1980, ou seja, após o exército soviético ter invadido o Afeganistão em 24 de Dezembro de 1979. Mas a verdade, mantida secreta até hoje, é bem diferente: foi na realidade a 3 de Julho de 1979 que o presidente Carter assinou a primeira directiva sobre a ajuda clandestina aos opositores do regime pró-soviético de Kabul». Trinta e seis anos depois de criar o monstro fundamentalista, e 24 anos após o fim da URSS, os EUA continuam a matar no Afeganistão (acabam de bombardear um hospital dos Médicos Sem Fronteira, incinerando o respectivo pessoal médico). E o jihadismo imperialista alastra, qual cavaleiro do Apocalipse, pelo Médio Oriente fora. E a fúria dos Padrinhos ameaça quem se atrever a cruzar-se no seu caminho.

*Este artigo foi publicado no “Avante!” nº 2185, 15.10.2015

Última atualização em Qui, 22 de Outubro de 2015 13:48
 
Missão da NATO na “Cerizia do Leste”

Está já em curso o exercício “Trident Juncture 2015” da NATO. Há 13 anos que a NATO não empreendia um exercício desta envergadura. O imperialismo norte-americano e os seus aliados ocidentais sobem a fasquia dos jogos de guerra. É mais urgente que nunca uma mobilização em massa dos povos em defesa da paz. Enquanto é tempo.


 

Começou o exercício ‘Trident Juncture 2015′, o mais importante organizado pela NATO desde há 13 anos. É um grande ensaio de guerra contra a Rússia
«Na Cerizia do Leste, um Estado invadiu um Estado vizinho mais pequeno e ameaça invadir outro. A crise tem implicações mundiais. A NATO empreende uma missão internacional de assistência e apoio para proteger os Estados ameaçados». É esse o cenário que o exercício «Trident Juncture 2015» «simula». A NATO explica que os nomes são«fictícios». Mas não é necessária muita imaginação para entender que «Cerizia do Leste» é o leste da Europa e que«o invasor» é a Rússia, acusada pela NATO de ter invadido a Ucrânia e de ameaçar outros países do leste.
O exercício bélico que actualmente se desenvolve em Itália, Espanha e Portugal é, por conseguinte, um teste real de guerra na frente oriental. Durante a sua fase inicial (de 3 a 16 de Outubro), no centro de Poggio Renatico (na região italiana de Ferrara), o primeiro centro já operacional do novo Sistema de Comando e de Controlo Aéreo da NATO, 400 militares de 15 países
«simulam os acontecimentos que haverá que enfrentar». Depois, de 21 de Outubro a 6 de Novembro, desenvolver-se-á «Livex», o exercício de «fogo real» em que participarão mais de 230 unidades terrestres, aéreas, navais e de forças especiais de 28 países membros da NATO e de 7 países associados (entre os quais a Ucrânia), com 36 000 homens, mais de 60 navios e 200 aviões de combate.
No quadro de
«Trident Juncture2015», as operações terrestres estarão sob o controlo do LandCom, o Comando das Forças Terrestres da NATO cujo quartel-general se situa em Izmir (Turquia), sob as ordens do general estado-unidense Nicholson, que envia a este exercício mais de 250 membros do pessoal às suas ordens. As operações marítimas estão sob o controlo do MarCom, o Comando das Forças Navais da NATO, situado em Northwood (Grã-Bretanha), sob as ordens do almirante inglês Hudson. As forças aéreas participantes receberão ordens do AirCom, o Comando das Forças Aéreas da NATO, que tem o seu quartel-general em Ramstein (Alemanha), sob as ordens do general estado-unidense Gorenc, também comandante das forças aéreas estado-unidenses na Europa e em África.
«Trident Juncture2015» põe à prova a capacidade da «Força de Resposta» (40 000 homens), em particular a capacidade da sua «Força de Vanguarda de Muito Alta Rapidez Operativa» capaz de se projectar em 48 horas fora da zona NATO, em direcção a leste e a sul, dirigido em 2015 pelo Comando Conjunto Joint force Command de Lago Patria (Nápoles), sob as ordens do almirante estado-unidense Ferguson, também comandante das forças navais dos Estados Unidos na Europa e em África.
A Itália, segundo anuncia o governo [italiano] disponibilizou para esse exercício «estruturas, bases e polígonos». As bases e polígonos destinados às forças aéreas são particularmente importantes. A NATO enumera-as da seguinte forma: Pisa e Grosseto, na Toscania; Pratica di Mare, na região de Lazio; Amendola na região de Apulia; Decimomannu e Teulada na Sardenha; Sigonella e Trápani, na Sicília; para além do porta-aviões Cavour como base flutuante.
Na véspera de
«Livex», a 19 de Outubro, realizar-se-á no aeroporto de Trápani Birgi uma cerimónia de abertura com a participação de alguns dos mais altos representantes militares de Itália e da NATO, seguida de uma conferência de imprensa e do desfile dos aviões de combate (Eurofighter 2000, F-16, AMX e outros) italianos, polacos, gregos e canadianos, além de um avião-radar AWACS recolocado em Trápani a partir da base da NATO em Geilenkirchen (Alemanha).
Mas não haverá cerimónias na base de Decimomannu, utilizada também pelos aviões da Eslovénia, nem no polígono de Teulada, onde actuarão também forças terrestres. O exercício
«de fogo real» «Livex», em que serão utilizadas bombas e mísseis que ao explodir projectarão uranio empobrecido bem como outros metais pesados e substancias químicas toxicas, semeará a morte provocando cancro e malformações congénitas. Entretanto, os gastos de «Livex» serão pagos com dinheiro proveniente dos fundos públicos, obtido mediante cortes nas despesas sociais.

 
A Rússia estreia os seus misseis de cruzeiro na Síria

A intervenção russa na Síria suscitou desorientação e objecções no Pentágono e na NATO. Por um lado, foram utilizados mísseis de longo alcance e de grande precisão cujas capacidades desconheciam. Por outro lado, foram em alguns dias atingidos mais alvos do Estado Islâmico do que a “coligação ocidental” atingira em mais de um ano.

O Novo Grande Jogo na Eurásia avançou a passos agigantados na semana passada depois de a Rússia ter lançado a partir do Mar Cáspio 26 misseis cruzeiro contra 11 objectivos do Estado Islâmico na Síria, destruindo-os a todos. Esses ataques navais foram a primeira utilização operacional de ultramodernos misseis de cruzeiro SSN-30A Kalibr.


O Pentágono apenas teve que rever o itinerário de voo desses misseis Kalibr – capazes de atacar objectivos a 1.500 quilómetros de distância. Trata-se de uma precisa, clara, sucinta mensagem de Moscovo ao Pentágono e à NATO. ¿Queres meter-te comigo, rapazola? ¿Talvez com os teus imensos, volumosos porta-aviões?

Além disso, passando por cima da criação do que é de facto uma zona de não-sobrevoo sobre a Síria e o sul da Turquia, o cruzeiro Moskva da Armada Russa, com 64 misseis navio-ar S-300, está agora atracado em Latakia.

Às proverbiais fontes anónimas estado-unidenses não restou outra alternativa senão entrar em parafuso, inventando que quatro misseis russos descontrolados caíram no Irão. O Alto Comando Russo ridicularizou-os; todos os misseis caíram a uns 2 metros dos seus objectivos.

O Pentágono nem sequer sabia que os Kalibr podiam ser lançados a partir de navios pequenos – os Tomahawk estado-unidenses necessitam de navios muito maiores.

O melhor que ocorreu ao Pentágono, para além de sofrer uma apoplexia generalizada, foi o que o comandante do NORAD, o almirante William Gortney disse ao Conselho do Atlântico: que a aviação e os misseis de cruzeiro de longo alcance russos representam uma nova “ameaça” para a defesa estratégica dos EUA.

A ameaça dos misseis de cruzeiro russos é um “desafio particular para o NORAD e o Comando Norte”. Oh, não me diga.

Trata-se de um eufemismo característico do Novo Grande Jogo. Pode argumentar-se que o desenvolvimento militar da Rússia nos últimos anos colocou Moscovo gerações à frente dos EUA. Em caso de uma Guerra Mundial Quente 3.0 – e ninguém salvo o costumeiro Dr. Strangelove possivelmente a desejaria – misseis e submarinos seriam as armas cruciais, não os monstruosos porta-aviões ao estilo estado-unidense.

O Pentágono está apopléctico porque a demostração de tecnologia russa revelou o fim do monopólio estado-unidense sobre misseis de cruzeiro de longo alcance. Os analistas do Pentágono trabalhavam ainda segundo a premissa de que o seu alcance era de uns 300 quilómetros.

Para além disso, a NATO foi advertida: a Rússia pode esmagá-los num instante – como me foi dito na semana passada numa conversa na Alemanha. A fogosa retórica do “¡estais violando o meu espaço aéreo!” tão pouco o modificará.

Uma vez mais, assumindo o cenário de Dr. Strangelove, a única reacção possível dos EUA no caso de a coisa ficar feia seria lançar ICBM nucleares; mas então o espaço aéreo da Rússia será selado por misseis antimísseis S-500, transportando dez misseis interceptores cada um, que não deixam passar qualquer ICBM estado-unidense.

Estúpido e moderadamente estúpido

Entretanto, depois do choque inicial, o Pentágono regressou à… inanidade, complementando o humor alegre dos títulos estúpidos e mais estúpidos de certa imprensa.

O chefe supremo do Pentágono, Ash Carter, jurou que Washington não cooperará com Moscovo na Síria porque a estratégia do Kremlin é “tragicamente defeituosa”. Devemos interpretar “defeituosa” como significando que a Rússia mata em poucos dias mais fanáticos salafistas-jihadistas de todo o tipo do que a Coligação de Duvidosos Oportunistas (CDO) em mais de um ano. ¿Há quem recorde que a CDO é oficialmente chamada Operação Resolução Inerente?

E depois existe um problema adicional com a assim chamada “estratégia” do “não quero brincar no mesmo jardim que tu” do Pentágono; o Ministério da Defesa Russo explicou que foi em primeiro lugar o Pentágono quem na realidade solicitou que fossem coordenadas as acções na Síria.

Para juntar irrelevância à inanidade, o Pentágono anunciou que metia na gaveta o seu último espectacular fracasso: o programa de 500 milhões de dólares para “treinar e equipar” rebeldes sírios “moderados”, que produziu uns impressionantes “quatro ou cinco” durões dispostos a combater contra o Estado Islâmico.

Portanto não haverá mais “treinamento”; será mais a formação de “facilitadores” – código para serviços de informação local – com a missão de identificar falsos objectivos do “Califado” para ataques da CDO. Serão “aconselhados” “à distância” pelo Pentágono sobre como interactuar .

É demasiado bom para ser inventado.

O “equipamento”, por seu lado, será consideravelmente reduzido; o que resta será um montão de espingardas de assalto que serão entregues a uns 5.000 rebeldes “moderados”, e que serão, como é evidente, capturadas de imediato pelo Jabhat al-Nusra, conhecido como al-Qaida na Síria, ou terroristas do “Califado”.

Ash Carter estava muito contente com a sua nova estratégia magistralmente concebida, que deve ajudar a “aumentar o poder de combate” desses elusivos rebeldes “moderados”. Jura que Washington “se mantém comprometido” com o treino desses rebeldes “moderados”, agora no formato “de diferentes formas para alcançar basicamente o mesmo tipo de objectivo estratégico”.

Coube ao surpreendentemente medíocre Ben Rhodes, conselheiro adjunto de segurança nacional dos EUA para a comunicação estratégica, expandir sobre o novo foco da “estratégia” magistralmente concebida: “desenvolver relações com dirigentes e unidades [entre grupos armados sírios], e poder entregar-lhes reabastecimentos e equipamento”. ¿Por que não desenvolver essas “relações” através de uma página no Facebook? É barato e muito más eficaz.

“Desconflitua-me”, querido

Embora o “desconflituamento” entre Washington continue a ser tão “conflitivo “como sempre, há pelo menos um tema no qual podem convergir; trabalhar com os curdos no nordeste da Síria, como admitem membros do PYD (Partido União Democrática). O co-presidente do PYD, Salih Muslim, insiste em que “lutaremos junto de quem quer que lute contra o Daesh (EI)”.

Contudo, a análise do PYD continua sendo anátema para o Pentágono e a Casa Branca. E o PYD sabe um par de coisas sobre a luta no terreno contra rebeldes jihadistas/”moderados”. O PYD considera que o EI, Jabhat al-Nusra ou Ahrar a-Sham “não são diferentes” uns dos outros. Tradução: os rebeldes “moderados” não existem. O PYD também aceita que Bashar al-Assad permaneça no poder por algum tempo, mas apenas durante um período “de transição”.

O PYD compreendeu perfeitamente o significado da ofensiva da Rússia na Síria. Opõem-se intensamente a uma zona de não-sobrevoo controlada pela Turquia e agora estão seguros de que nunca haverá uma. Também sabem perfeitamente que uma brigada “Sultão” de turcomanos, treinados por Ancara – rebeldes “moderados” ao estilo turco – desertou massivamente para o EI/Daesh.

Entretanto, em Sochi, o Presidente russo Vladimir Putin encontrou-se – de novo– com o Ministro da Defesa da Arabia Saudita Príncipe Mohammed bin Salman, o príncipe guerreiro que está matando civis no Iémen. O Ministro de Assuntos Exteriores Sergey Lavrov e o Ministro da Energia Alexander Novak estavam também presentes.

Em termos diplomáticos, tudo isso teve a ver com o acordo entre Moscovo e Riad de que não pode permitir-se que o EI/Daesh se apodere da Síria. Os detalhes continuam a ser uma incógnita. Falou-se muito de uma “solução política”. Putin deixou de novo bem claro: a actual ofensiva tem o propósito de “estabilizar as autoridades legítimas e criar condições para encontrar um compromisso político”. A Casa de Saud entendeu perfeitamente; é o caminho russo ou a auto-estrada.

Embora continuem a namorar com a auto-estrada – como quando os proverbiais “funcionários sauditas” anónimos confirmaram que os que trabalham para o Príncipe Salman, amistoso em relação a Putin, entregaram 500 misseis antitanque TOW aos rebeldes “moderados” do antigo Exército Livre Sírio (ELS). Pode apostar-se que esses TOW serão rapidamente capturados por todo o género de salafistas/jihadistas.

Toda esta acção frenética tinha lugar em paralelo com o recentemente operacional centro de coordenação de informação Rússia-Irão-Iraque-Síria-Hezbollah em Bagdad, o que mostra que levam a sério o que estão a fazer. Assim se trabalha em informação no terreno. Um ataque pode não ter atingido o “Califa” Ibrahim mas enviou para o paraíso alguns outros notáveis do “Califado”. O balanço final: o Pentágono não foi convidado e soube do ataque iraquiano ao ver a CNN. No fim de contas, os antecedentes mostram que no Iraque o Pentágono não se distingue pela sua inteligencia no terreno.

Fontes shiítas en Bagdad confirmaram-me uma vez mais que na cidade se fala de que o Pentágono e o governo de Obama não só não estão interessados em combater realmente contra o EI/Daesh como, na melhor das hipóteses, arrastam os pés numa espécie de modo de “apoio renitente”. E isto, porque a “estratégia” do governo de Obama – perguntem ao lamentável Ben Rhodes – continuam presa ao “Assad deve partir”, sejam quais forem as variações semânticas sobre o tema.

¿E quanto à Turquia? A resposta curta é esta. O Sultão Erdogan simplesmente não pode entender-se com os curdos – nem na Síria nem na Turquia. Não pode entender-se com a Síria. E tão pouco pode entender-se com Moscovo. Corre uma piada comum na Síria, Iraque e Irão de que não é necessário atacar a Turquia; basta deixar que se desmorone por si só. O Sultão Erdogan está a garantir que assim seja.

E a miríade de impasses do Sultão explica porquê o Primeiro-ministro turco Ahmet Davutoglu –o da antiga doutrina do “zero problemas com os nossos vizinhos”– agora diz que Ancara está disposta a falar com Moscovo e Teerão sobre a Síria, desde que isto não signifique “legitimar” Assad. Davutoglu também desenvolve a lógica retorcida de que os ataques aéreos russos aumentam o fluxo de refugiados sírios para a Turquia. Portanto há que esperar que Ancara lance em direcção à Fortaleza Europa outra vaga de refugiados mantidos em “campos de retenção”. E depois culpará Putin. E os misseis de Putin.

(Copyright 2015 Asia Times Holdings Limited, a duly registered Hong Kong company. All rights reserved.)

Pepe Escobar é correspondente itinerante de Asia Times/Hong Kong, e analista para RT e TomDispatch.

Fonte: http://atimes.com/2015/10/say-hello-to-my-cruise-missiles-escobar/

Última atualização em Qui, 22 de Outubro de 2015 13:44
 
Entrevista a Eliseos Vagenas Membro do Comité Central e responsável pelo Departamento de Relações Internacionais do Comité Central do KKE, ao jornal “Unsere Zeit”, do Partido Comunista Alemão

«Os partidos não se julgam pelas suas declarações, mas pela sua obra. Tsipras e o SYRIZA negociaram, não pelos interesses do povo, mas pelos dos grupos monopolistas, que queriam dinheiro para incrementar os seus lucros.»

Pergunta:
Por toda a Europa se fala dos desenvolvimentos políticos na Grécia. Todavia, a participação nas eleições de 20 de Setembro, alcançou apenas 57%.  ¿Porque ficaram em casa tantos votantes?

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Reflexão sobre as eleições

por Miguel Urbano Rodrigues

Os comentaristas de serviço dedicam-se a prever que governo sairá de um parlamento no qual a coligação vencedora obteve apenas uma maioria relativa, 104 deputados. O Presidente da Republica, que se comportou como um aliado do governo, vai agora incumbir Passos Coelho de formar governo. Mas que governo? Como escreveu o director executivo do semanário de direita Expresso, a vitória do PSD-CDS «só chega para um governo provisório».

A aliança PSD-CDS foi a força mais votada nas eleições legislativas, mas teve uma quebra de quase 750 mil votos em relação a 2011, perdendo a maioria absoluta.

A campanha da coligação reacionária intitulada «Portugal à Frente», apoiada ostensivamente pela maioria dos órgãos de comunicação social, excedeu em demagogia, hipocrisia e mentiras as anteriores de Passos & Portas. Chocante foi também a cobertura oferecida aos micro-partidos dos quais apenas o PAN elegeu um deputado.


 

As televisões, as rádios e os jornais ditos de referência subscreveram a tese oficial de que não havia alternativa para a austeridade. Não negaram que Portugal está mais endividado e empobrecido, que os objetivos da parceria PSD-CDS não foram atingidos, que o deficit em 2014 (com o rombo do adiamento da venda do Novo Banco) era afinal o mesmo de 2011, mas evitaram responsabilizar o governo. De modo geral, a situação catastrófica do Pais foi falsamente atribuída ao funcionamento de leis da economia e da finança que atingiram também outros povos.

Passos, Portas e os seus candidatos enalteceram com despudor a sua obra devastadora. Citaram tantas vezes a Irlanda e a Grécia que as citações massacraram os eleitores quase como um refrão.

Coincidiram nos insultos ao povo grego, mas abstiveram-se de reconhecer que a Irlanda reduziu com êxito as exigências de Bruxelas enquanto aqui o governo foi mais longe do que lhe era pedido no sinistro memorando.

Não ousaram confessar o óbvio, a determinação de prosseguir a política que arruinou o país. Abstiveram-se falar do seu programa de governo e da estratégia que anunciaram à União Europeia.

A ministra das Finanças, candidata por Setúbal, chamou a atenção pelo seu estilo melífluo. Ela, que não costuma sorrir, abriu-se desta vez em sorrisos. Terá estabelecido um recorde de mentiras com o discurso tecnocrático em que virou do avesso a realidade, negando fraudes de que foi cúmplice, falsificando números, e apresentando como grandes vitórias e sábias decisões os atos governativos que conduziram o Pais à ruína.

Passos falou como um cônsul romano em vésperas de ser aclamado pelo Senado. O seu triunfalismo arrogante apresenta já matizes patológicos.
Portas, hoje descredibilizado mesmo no seio da família coligada, passeou ombro a ombro com Passos, de Norte a Sul, com ou sem chapéu, distribuindo promessas e fugindo a vaias.

A CDU – cujo núcleo fulcral é o PCP - fez uma grande campanha. Os seus comícios e arruadas atraíram multidões. O entusiasmo que envolveu o candidato comunista de Norte a Sul do Pais foi transparente. Mas a eleição de 17 deputados - mais um do que na anterior legislatura - ficou aquém da expectativa.

O Bloco de Esquerda - mérito de Catarina Martins, inteligente e simpática - elegeu 19, um resultado que meses atrás era imprevisível. Partido sem ideologia definida, o BE beneficiou do voto de socialistas frustrados e de eleitores potenciais da CDU.

O QUE VAI ACONTECER

Os comentaristas de serviço dedicam-se agora a prever que governo sairá de um parlamento no qual a coligação vencedora obteve apenas uma maioria relativa, 104 deputados. Dos 9 439 651 eleitores inscritos votaram nela somente 2 071 376 (a abstenção foi levemente superior a 43%).

O Presidente da Republica, que se comportou como um aliado do governo, vai agora incumbir Passos Coelho de formar governo.

Mas que governo? Como escreveu o diretor executivo do semanário de direita Expresso, a vitória do PSD-CDS «só chega para um governo provisório».
O povo português pronunciou-se nas urnas contra a política da coligação reacionária. Os três partidos da oposição elegeram 121 deputados e a aliança PSD-CDS apenas 104 (falta apurar os 4 da emigração).

Existe portanto agora no Parlamento uma maioria que teria força suficiente para viabilizar uma mudança no rumo da sociedade portuguesa. No entanto, ela não ocorrerá porque o PS não a deseja e prefere negociar com o PSD-CDS.

Passos revelou temor do futuro. Apressou-se aliás a lançar um apelo à cooperação do PS, sublinhando que sem ela as suas «reformas» não serão possíveis.
No momento é imprevisível o que vai acontecer nas próximas semanas.

Mas o discurso de António Costa, ontem, foi ambíguo. Se respeitasse compromissos assumidos durante a campanha, o PS não deixaria passar no Parlamento um governo PSD-CDS.

Mas o próprio emprego contraditório que na sua fala fez do verbo «inviabilizar» não justifica a esperança de uma política de firmeza perante as forças lideradas por Passos & Portas.

LIÇÕES DAS ELEIÇÕES

Que ensinamentos extrair destas eleições?

Em primeiro lugar cabe perguntar por que não castigou o eleitorado severamente nas urnas os partidos responsáveis pela ruina do Pais? Como explicar que quatro décadas apos o 25 de Abril mais de dois milhões de portugueses tenham concedido uma maioria parlamentar relativa a uma aliança de direita que assume posições ideológicas aparentadas com o fascismo?

A resposta a essas perguntas conduz a uma conclusão dolorosa.

As novas gerações de portugueses têm muito pouco de comum com aquela que tornou possível Abril e soube depois defender com firmeza as suas grandes conquistas sociais.

Hoje o nível de consciência de classe e de consciência política da maioria dos portugueses é muito baixo. A sociedade mudou profundamente. A ideologia do capitalismo, sob o bombardeamento esmagador da classe dominante, sobretudo após a entrada de Portugal na União Europeia, fez estragos devastadores.
Não estamos perante um caso único. A História apresenta-nos situações similares. Na Rússia, por exemplo.

A grande geração da Revolução de Outubro, que a defendeu com heroísmo, e a seguinte, que resistiu vitoriosamente à agressão do Reich nazi e fez da União Soviética a segunda potência mundial, não tiveram continuidade. Os filhos e netos dos revolucionários de Outubro acompanharam passivamente a ofensiva contrarrevolucionaria de Gorbatchov e Ieltsin e do imperialismo que destruiu a URSS, reimplantando na Rússia o capitalismo.

Como comunista sou e continuarei a ser otimista.O sistema capitalista não é reformável por desumano e está condenado a desaparecer.

O resultado das eleições foi insatisfatório. Estavam reunidas condições objectivas para se infligir uma derrota esmagadora às forças que ocupam o poder. Faltavam porém as subjectivas.

Mas, como afirmou odiario.info na sua NOTA DOS EDITORES, é na força criadora das massas populares que o povo português encontrará a saída para o desfecho das eleições.

Última atualização em Sáb, 10 de Outubro de 2015 02:28
 
"A proposta do KKE é a única realista e a favor do povo"
Escrito por por Dimitris Koutsoumbas [*] entrevistado por Tassos Pappas   

P.: O senhor diz que quer com o dracma ou com o euro e com o Memorando, o povo sofrerá sob as presentes condições. Será possível que esta linha [de argumentação] desmobilize os cidadãos uma vez que a perspectiva que o senhor apresenta não parece ter relevância contemporânea?

R: O senhor está totalmente enganado. A proposta política do KKE é e permanece contemporânea. As outras propostas – aquelas do actual e dos antigos governos – apontam para uma "Terra do Nunca" quanto a uma saída da crise favorável ao povo. Trata-se de propostas que satisfazem apenas o grande capital e seus sectores. As propostas dos outros partidos referem-se ou a novos acordos do tipo Memorando ou simplesmente a uma mudança de divisa através do Grexit. As propostas adoptadas por diferentes razões pelo actual governo e outros partidos e aquelas defendidas pela Aurora Dourada e várias formações extra-parlamentares, são matematicamente calibradas para levar o povo à bancarrota total. A proposta do KKE, inversamente, é a única realista e autenticamente favorável ao povo, uma vez que ela liga o desligamento da Eurozona e da UE a um plano e programas abrangentes para a economia e a sociedade, incluindo a socialização dos meios de produção, a planificação central, a abolição da dívida, com o povo organizado e determinado, no quadro de um autêntico poder popular dos trabalhadores. O povo pode avançar nesta direcção activamente, utilizando a experiência do que o KKE dizia e continua a dizer, em linguagem clara.

Última atualização em Qui, 13 de Agosto de 2015 16:19
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